mai 29, 2006

na volta, o recreio da escola. barulhos de criança são iguais em todo lugar. o vento esfria, fecho o casaco e ponho as mãos nos bolsos. na esquina, o bistrô; e a moto estacionada ali na frente. atravesso a rua e o sinal fecha quando alcanço a outra calçada. espero ao lado da senhora de lenço no cabelo e sapatos vermelhos. o guarda levanta a placa redonda em sinal para os carros pararem. ele sorri, satisfeito com o seu trabalho.

cruzo a faixa e encontro o parque. o frio me faz apressar o passo e nem percebo o movimento nos cafés. a biblioteca do bairro, a padaria e a loja das abelhas já ficaram pra trás. e também o restaurante e o bar que são citados no hino dos comunas. sim, aqui começou o movimento comunista, nessa praça pequena e com a fonte no meio.

o gato amarelo passou por mim, perto da rua da esperança. ali, o café – hotel – restaurante de mesmo nome segue a rotina desse dia ventoso e sem sol. desço a rua e admiro suas arvores, os galhos dançam com o vento. olho pra cima, a casa da esquina onde eu queria morar. na janela da direita procuro o gato preto que nunca mais apareceu.

faço a curva no bar dos malabaristas, passo o supermercado e o senhor que vende revistas em frente. do outro lado da rua estou em casa. mas antes cumprimento o porteiro, que sempre sabe o que acontece com tudo e todos: bonjour, ça va? espero o elevador, aperto o nove. no final do corredor, agora sim, estou em casa.

às vezes tenho certeza de que moro em uma cidadezinha do interior, daquelas que a gente vê em filme, ou seriado de televisão.

Posted by roberta at mai 29, 2006 11:49 AM
Comments

ahh, vamos para o branco? eu vou!!!! ;)

Posted by: giu at mai 31, 2006 06:29 PM

Adorei o "percurso". Quase me senti aí contigo.
Pontiiiiinha de inveja.
Mas daí olho pra Lagoa, dou a volta na Coronel Pedro Osório olhando pros casarões reformados, passo a mão no tronco das árvores da Avenida, o Milo me recebe em casa com o rabinho abanando e pulando feito pipoca na minha volta e me dou conta: "Home is where your heart is".
Beijão e saudade, Robs!

Posted by: Re at mai 31, 2006 12:03 PM

o comentario de giu pra ju: "adoooooro quando a robs se descreve em, e descreve la" (!!!)
;)

Posted by: giu at mai 30, 2006 10:01 AM

das cidades que cresceram engolindo os vilarejos. os vilarejos que ainda resistem as cidades. eu também me sinto assim. e acho que é o que mais gosto. achar meu vilarejo dentro da cidade e poder esquecer do resto nos fins de semana. sentar com calma no café local e contemplar. viver esse local-global ao máximo. enjoy! bjo

Posted by: jo at mai 29, 2006 05:57 PM

crianças e porteiros. iguais.
na cidade de dentro pra morar. desse interior, robibi, desse!!!!
"deixa eles pensarem que o mundo começa e termina ali..."
né!???
;)

Posted by: giu at mai 29, 2006 05:22 PM

ví a cena do filme em que a amelie "mostra" a cidade pro cego ! eu, como "temporariamente-sem-visão" adorei, enxerguei tudo ! bjos robs

Posted by: ju at mai 29, 2006 12:14 PM