e ela, que sempre duvidara da existência do momento, chegava perto da hora marcada. naquela hora, sua vida mudaria. sua vida já estava mudada. ela nunca imaginou encontrar one in a million. nunca imaginou sentir-se tão bem em sendo ela mesma. pele, cabelo, lágrimas, sorrisos. eram seus e assim se mostravam. sem disfarces.
perto da hora marcada ela pensa se está esquecendo alguma coisa. nada. nada ficou pra trás. está tudo presente, com ela. todos os eus de outrora ali continuavam, e somente às vezes se permitiam aparecer, para lembrá-la do que um dia havia sido. todas as ruas, todos os caminhos, todas as pessoas. tudo ali. tudo aqui. to help you with the load.
perto da hora marcada nada é certo, exatamente como sempre. amanhã é dúvida, exatamente como sempre. a dúvida (incrivelmente!) não a perturba, só a faz sorrir.
perto da hora marcada ela se sente agradecida, feliz. plena. e quem um dia pediu tanto por uma certeza agora se deleita com o inesperado. e assiste às flores na janela crescerem.
as situações na vida mudam de uma hora pra outra, assim como o tempo.
bom seria se existisse uma previsão pra isso, assim como a do tempo.
a cultura ocidental é mesmo toda errada. se eu fosse budista estaria lidando muito melhor com todas essas situações que têm aparecido na minha vida. como por exemplo, lidar com o desapego. ai, como é difícil. nesse ponto eu sou ocidental ao extremo. a número um das apegadas. mas seu dalai-lama há de me ajudar e eu hei de conseguir. primeiro trabalhei o desapego às pequenas coisas, tipo as tranqueiras que eu guardo e precisam ser jogadas fora. venci. consegui. doei, rasguei, me desfiz. agora estou lidando com um nível médio, que é o desapego ao meu cabelo comprido. cultivado há uns 6 anos (!). semana que vem saberei quem venceu. tomara que seja a eu-budista. mas difícil mesmo vai ser lidar com os desapegos grandões que vêm por aí. ai, como vai ser difícil...