ano passado eu escrevi que 2005 ia ser tudo o que a gente quisesse.
e foi.
e foi mais do que eu esperava.
e depois de tantas mudanças, ca estamos.
e eu continuo desejando que o ano novo seja tudo!
tudo aquilo que a gente sempre quis e nunca imaginou. surpresas boas e planos concretizados. paz de espirito e felicidade genuina.
bem vindo, 2006. bem vindos a 2006!

os meus desejos para 2006.
não importa o idioma, o sentimento é o mesmo!
feliz tudo =)
e então a gente descobre que os medos vindos de dentro são mais assustadores do que as ameaças externas.
e tem que lutar contra si mesmo.
*
*
e na procura por respostas, a gente encontra amigos. e isso faz toda a diferença!
um beijo de tchau e um desejo de bom dia. desço pelo elevadorda esquerda. depois da porta, me encontro com o frio da rua.
caminho duas quadras até a parada do ônibus. la chegando, ja reconheço alguns rostos. tem a madame gordinha de cabelos bem curtos cor de laranja; o menino que tem uma coisa presa no cabelo, e eu acho que é um aparelho auditivo; e a estudante de oculos que usa jeans e mochila preta.
ele chega. um certo tumulto pra subir, quando tem muita gente. mas a maioria é educada e deixa os mais velhos e as mulheres entrarem antes. a entrada é pela frente, o que acho logico, e é la que eu valido o meu passe.
os ônibus parisienses são bonitos e coloridos. duas filas de cadeiras, uma em cada canto, em seguida o lugar pra cadeira de rodas e o outro pra carrinho de bebê. espaços. eu me dirijo ao fundo, como eles sugerem nos cartazes. duas filas de acentos em cada lado, sendo que a ultima fileira é inteira, como um sofa. costumo sentar na primeira ou a segunda fila, dependendo da disponibilidade. escolho a primeira, à direita. na janela.
para variar a paisagem, vario também os lados. ja reconheço alguns pontos principais. decoro o nome das paradas e ja consigo me situar no mapa.
a moça de voz neutra anuncia “glacière-auguste blanqui”. entram mãe e filha. essas eu também ja conheço. são parecidas, fisicamente, mesmo que a menina não tenha mais de dez anos. sentam-se um pouco atras, mas posso ouvir suas vozes. a menina soletra palavras enquanto a mãe as corrige. sempre em busca de uma mais dificil.
mais uma parada. é onde entram as gêmeas. magras, cabelos bem lisos. idênticas, como suas jaquetas pretas. sentam-se lado a lado, mas não trocam uma palavra. nem mesmo uma troca de olhares. elas não estudam no mesmo lugar. uma delas desce duas paradas antes da outra. e não se dão tchau. a da ponta se levanta e sai. a do canto fica. me pego pensando se elas combinam a ordem de entrar no ônibus para sentarem na ordem em que vão sair.
pensamento interrompido quando reconheço mais uma pessoa. a senhora negra de casaco rosa. rosa bombom. ela se enfeita bastante. e os seus cabelos têm mechas que, estranhamente, combinam com a cor do casaco. um cachecol, cabelos presos, sapatos vermelhos.
e por ela passa o menino de moletom preto com capuz. ele sempre usa o capuz, mesmo estando com uma touca por baixo. fica de pé, no centro. perto da porta de saida. é la também que fica a menina que quer parecer roqueira. mochila do nirvana, roupas escuras, cabelos idem.
luxemburgo - correspondance RER B, diz a moça com sua voz neutra. ao meu lado direito, a casa onde morou picasso. descobri isso na semana passada. ali, escrito naquela plaquinha. mais duas estações. aviso que vou descer, apertando o botão vermelho. a luz la na frente “arrête demandé” se acende.
saint-michel, aqui eu desço. espero até as portas se abrirem pra me levantar. se o faço antes disso, as manobras do motorista me ameaçam fazer cair. lição aprendida no outro dia. sigo em frente até a esquina, onde dobro à direita, no café que tem o mesmo nome da estação. pessoas la dentro, ja cedinho lendo seus jornais.
mais um quadra e la esta ela. não vejo mais o sol nascendo, laranja, ao fundo. agora ainda é noite. nuvens escuras. mas ela continua la, linda. oponente. imutavel. notre dame, a testemunha das minhas manhãs. dobro a esquina, mas não sem antes dar uma ultima olhada. e sorrio, muitas vezes com os olhos embaçados. mesmo sem saber por que.
* então minha nova diversão é andar na rua imitando a caminhada da madonna em "hung up" (que por sua vez imita john travolta em "embalos de sabado a noite"). passinhos puladinhos são tuuuuudo. sinta-se bem você também.
* andar de ônibus. uma descoberta nova. e muito feliz. ver a cidade com olhos de morador, sem deixar o lado turista.
* experimentar cabelos. sair de casa sem se pentear. e funciona!
* cantar na rua. um habito de parisienses. no inicio, eu achava todos loucos. agora eu canto também. e sem ipod, imagina com. (na verdade o que eles mais fazem é falar sozinhos, mas ainda não cheguei nessa fase).