“O homem está na cidade
como uma coisa está em outra
e a cidade está no homem
que está em outra cidade
a cidade está no homem
quase como a árvore voa
no pássaro que a deixa”
Ferreira Gullar
Ha cinco meses essa é a minha cidade. Aqui eu acordo, aqui eu durmo. Aqui sonho, sonhos sem sentido. Pra depois ver o quanto eles se encaixam. E continuo. Essa é a cidade que eu aprendi a amar, com a língua que aprendi a falar, os hábitos que precisei entender e a cultura que sempre quis conhecer.
Entre lá e aqui, sempre vai ter algo faltando. Mas é aqui que procuro me preencher. Caminhar por ruas desconhecidas, sorrir para as crianças no parque, me misturar entre a multidão. Saber informar os turistas na rua. Conhecer a próxima parada do ônibus sem precisar olhar no mapa. Comprar uma baguette na esquina e não me importar que ela não esteja embalada (confesso, uma das adaptações mais difíceis). Reconhecer os prédios no caminho de volta pra casa, e sentir-me em casa. Reclamar como um nativo dos turistas no metrô. Entender a televisão, o que eles dizem e o que eles querem dizer.
E ao mesmo tempo, ser um estrangeiro.
Sentir falta de ser conhecida na rua, de um rápido abano que vem da calçada do outro lado. Saber como vai ser o clima amanhã simplesmente analisando a noite de hoje. E acertar. Ficar em duvida entre qual amigo visitar no final de semana. Sentir falta da família, dos abraços e da rotina testemunhada. Entender a televisão, o que eles dizem e o que querem dizer.
Em português.
Paris é uma cidade como qualquer outra. É apenas mais um lugar. E ao dizer isso eu corro o risco de ser apedrejada, por estar esnobando uma capital do mundo. Mas a verdade é que toda cidade é especial, quando a gente faz dela especial. Aqui eu me descubro crescendo, formando a minha família. E o prazer de caminhar na rua olhando pra cima, pro alto dos prédios, é o mesmo, seja onde for. Deitar na grama e aproveitar o sol. Ler um livro sentado em um café. Andar de mãos dadas, falando sobre a vida, ou sobre nada de muito importante.
Eu ainda estranho quando ando à noite, e vejo minha sombra refletida varias vezes, no chão e nas paredes. Sempre acho que tem alguém atrás de mim e me viro rápido, desconfiada. Pra depois rir sozinha, ao constatar que, de novo, era só eu mesma.
Sim, aqui tem cultura, tem seguro saúde, tem infra-estrutura, tem transporte, tem parques, tem segurança. Mas aqui não tem o que nos é mais familiar, de origem. E será que aqui pode vir a ser, realmente, a nossa casa? E se pode? O que fazer?
Não ofereço respostas, eu continuo me perguntando. E colocando na balança (como típica libriana) todos os pros e os contras. E no final disso, me vejo (como típica libriana), dividida. Seria bom ter tudo, mas ai não tem graça.
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ps. publicado depois de relutar com a idéia de escrever sempre sobre o mesmo assunto. mas é o assunto que eu tenho, oras.
moramos no décimo terceiro arrondissement. o quartier chinois.
tipo um chinatown de paris. as ruas estão enfeitadas. as faixas dizem "feliz ano novo" em vermelho e dourado.
hoje vai ter festa, desfile e comemoração.
afinal, faz sentido sim. nosso ano começa agora. e começa bem, não?
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feliz ano do cão!
ainda um pouco zonza com os acontecimentos.
a meia hora surreal.
o elevador gaiolinha.
e a gravata borboleta.
com licença, estou curtindo o momento.
e mais uma vez, o sol entra amarelo pela janela, dizendo "tudo vai dar certo". dias frios, sem nuvens e muito bem iluminados. o inverno perfeito. uma surpresa, uma boa noticia e um encontro no final da semana. suficientes para mudar tudo, mais uma vez. uma nova rotina que começa e uma expectativa absurda por uma grande incerteza. o ano começa ao contrario por aqui. mas começa bem, eu diria.
lady voltara a dar noticias assim que suas provas acabarem.
ou talvez antes.
mais provavel no domingo.
sabado prova oito e meia. e às dezenove, teatro com professoramadame e colegasestrangeiras.
na segunda, lady sera do-lar.
até breve***
depois de um subito acesso nerdistico, o novo patusca ficou pronto!
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pelo menos até me dar uma vontade incontrolavel de mudar o lay outra vez.
sim, isso vicia.
na ultima semana de uma fase que ja não é nova.
o cansaço pede umas férias. ou sera o inverno?
alguns dias para a proxima etapa. qual sera?
vontade existe, a sua parte vai ser feita.
vamos aguardar pra ver o que acontece.
o bom das descobertas é saber que sempre existe a possibilidade de mudar.
estou falando do blog.
mas não apenas.
com tudo o que tivemos direito. telefonemas, abraços, comida boa, sorrisos, conversas, mais abraços, choros, danças, (poucos) fogos de artificio e nenhum frio.
doze uvas e calcinhas coloridas da cor dos pedidos. e mesmo longe, sempre perto de todos.
ultimo dia de férias. ultimo dia de visita aqui. duas semanas, mas parece que foi muito mais. descobertas e trocas. viagens. conversas. descanso. muito descanso.
sem horarios, sem obrigações.
energias recarregadas e amanhã começa tudo outra vez. mas sob um novo ponto de vista.
oi 2006!