na volta, o recreio da escola. barulhos de criança são iguais em todo lugar. o vento esfria, fecho o casaco e ponho as mãos nos bolsos. na esquina, o bistrô; e a moto estacionada ali na frente. atravesso a rua e o sinal fecha quando alcanço a outra calçada. espero ao lado da senhora de lenço no cabelo e sapatos vermelhos. o guarda levanta a placa redonda em sinal para os carros pararem. ele sorri, satisfeito com o seu trabalho.
cruzo a faixa e encontro o parque. o frio me faz apressar o passo e nem percebo o movimento nos cafés. a biblioteca do bairro, a padaria e a loja das abelhas já ficaram pra trás. e também o restaurante e o bar que são citados no hino dos comunas. sim, aqui começou o movimento comunista, nessa praça pequena e com a fonte no meio.
o gato amarelo passou por mim, perto da rua da esperança. ali, o café – hotel – restaurante de mesmo nome segue a rotina desse dia ventoso e sem sol. desço a rua e admiro suas arvores, os galhos dançam com o vento. olho pra cima, a casa da esquina onde eu queria morar. na janela da direita procuro o gato preto que nunca mais apareceu.
faço a curva no bar dos malabaristas, passo o supermercado e o senhor que vende revistas em frente. do outro lado da rua estou em casa. mas antes cumprimento o porteiro, que sempre sabe o que acontece com tudo e todos: bonjour, ça va? espero o elevador, aperto o nove. no final do corredor, agora sim, estou em casa.
às vezes tenho certeza de que moro em uma cidadezinha do interior, daquelas que a gente vê em filme, ou seriado de televisão.
eu poderia falar da distância, da saudade, da adaptação. dos pros e contras de estar longe, das descobertas, das perdas e dos ganhos.
eu poderia comparar o antes e o depois, aqui e la, e então tirar conclusões que nunca serão definitivas. poderia falar do modo de vida europeu, da qualidade de vida no brasil, do preço da fruta, da carne e do metro quadrado.
citaria os momentos de felicidade magica e a angustia da depressão. lembraria dos imprescindiveis messenger, blogs, flickrs e emails pra nos manter perto. falaria dos parques, meus lugares preferidos daqui, e da saudade que eu sinto da lagoa e do laranjal.
diria que o céu é o mesmo, ainda que diferente. e que eu sou a mesma, ainda que diferente. eu poderia enumerar as duvidas, os medos, as alegrias, os planos. contar das chegadas, partidas, conversas, colchões inflaveis e sanduiches no almoço pra economizar nos euros.
falaria dos cinemas, do metrô, das noites dormindo abraçados, da neve na janela, do pôr do sol vermelho, dos novos amigos, das trocas, dos telefonemas, das confissões, dos museus, das ruas, do pão, das estradas, das pessoas, dos olhares...
mas hoje vou so comemorar.
e celebrar tudo isso.
dias de pessoas queridas, emails de parabéns e a vontade de estar junto. eu acho que estamos. um post sumido e uma expectativa que desapontou. alias, duas. a noticia era de se esperar, mas recebê-la foi uma triste confirmação. pensamento de que o que vier vai ser o melhor afinal.
plano b em ação, viagem agendada e outra a ser combinada. comemoração nossa. fim de semana diferente e, no proximo, um feriado espichado.
os planos tomam forma e eu espero que, finalmente, o começo seja agora.
e eu vejo que escrevo pra tentar me convencer de tudo isso. talvez funcione.
trilha da sexta pra começar a segunda.
assim, diferente. como a semana quer ser.
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And if the music ain't good, well it's just too bad
We're gonna sing along no matter what
Because the dancers don't mind at the New Orleans
If you tip 'em and they make a cut
Do it
Take your mama out all night
So she'll have no doubt that we're doing oh the best we can
We're gonna do it
Take your mama out all night
You can stay up late 'cause baby you're a full grown man
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começo o post sem saber como ele vai terminar. escolho frases e desisto no meio do paragrafo. cheia de coisas pra contar e nada em forma de palavras.
então vou la, ouvir os cds novos e arrumar as roupas. olhar pra rua e ver o sol, deitar com preguiça e acabar o livro.
os planos foram planejados, mas so começam amanhã. porque hoje, nos vamos no cinema.
fizemos descobertas simpaticas. um parque, uma village. o viaduto das artes e um porto dentro da cidade. passeamos como turistas com olhar de habitantes. e vice-versa. antes, compramos livros. e eu comprei um que eu ja tinha, sem querer. resolvi não trocar. edição revisada e aumentada. deixa assim.
cinema, com um pequeno erro que nos levou ao filme dublado. não incomodou. chegamos mais cedo. chovendo, vimos as vacas. teve crepe de nutella, mas faltou criatividade. pão de queijo e bandeiras. e depois da implicância com os conterrâneos, eu aceitei. e gostei. festival com presença do diretor. aqui, não quer dizer nada. ou sim, mas eu não percebi.
e depois, no feriado mundial, dia nublado e inteiro em casa. ele so saiu pra buscar pizza. eu preparei o encontro de hoje. olhamos os aluguéis. pensamento nas mudanças. agora? ja? daqui a pouco, ou não. mas fazer planos é bom, aconteça o que acontecer.