foi deitar com todos os pensamentos borbulhando na cabeça. como se eles estivessem competindo entre si pra chamar sua atenção. o coração acelerado não lhe deixaria dormir. não que os pensamentos o fossem. respirou fundo, tentando esvaziar a mente. pensou que nenhuma posição lhe era confortavel. o desconforto era psicologico e não fisico. pensou em levantar. talvez tomar mais agua. não estava calor. cobriu-se com os lençois. virou de bruços mais uma vez. e o barulho ritmado daquele motor na rua atrapalhava mais ainda.
os pensamentos pensados numa velocidade cada vez maior. imagens distorcidas e confusas lembravam o filme de alucinações daquela tarde. e ela ainda tentando se acalmar com a respiração profunda e lenta. o coração seguia a mil. no meio daquela seqüência imaginaria de sons e cores e perguntas sem sentido ela se sentiu louca.
durou uns cinco minutos.
e dormiu.

num cenario de almodovar
ao som de juanes
bebendo sangria
e comendo tapas.
matando a saudade dos amigos e aproveitando uma noite quente de julho.
*roberta, denis, roberta e leonardo. les piétons, 28/07/2006.
e quando o dia ficou cinza depois da noite de raios e trovões vi que tudo é uma questão de ponto de vista. nunca é o ideal, mas é sempre o que temos. e reclamar não adianta. ligar o botão otimista e analisar os lados bons.
e aqui férias é periodo de reformas. reformas barulhentas durante todo o dia. férias de verão com praia na cidade. depois da pista de patinação, a prefeitura é lugar de vôlei de praia. com areia e tudo. na beira do rio, cadeiras enfileiradas, grama e mais areia. gotas d'agua pra refrescar, barzinhos pra divertir, decoração tipica pra lembrar. que não estamos mais na cidade, é verão, férias, estamos na praia.
eu preferi olhar de longe, arrisquei um banho nas gotas mas foi tudo. brasileira mal acostumada com a noção de praia-com-mar.
ainda tenho compromissos na lista de afazeres e a folga é curta até segunda feira. elas voltam e a roberta-anfitriã também. enquanto isso preciso fazer a minha parte, escrever e me concentrar no trabalho, pra ver se dou logo um fim às férias mais longas do mundo.
outro momento visita. outro momento pausa.
mas eu volto.
logo.
e na volta junto os pedaços pra formar o todo. o que foi visto, apreendido e aprendido. a falta que senti do que esta sempre comigo, mas não la. os gestos que demonstram mais do que as palavras. a paisagem que deslumbra e quase faz não acreditar. o sol que sufoca, arde, mas ilumina de um jeito que tudo fica mais bonito.
mas é sempre bom voltar pra casa. com a bagagem mais pesada, de compras e experiências. trocas que afirmam a afinidade antes não percebida. sorrisos cumplices e abraços. os abraços que emocionam, na partida e na chegada. lembram que não estamos sos.
nessa volta os pensamentos se tornam mais claros, como a agua do mediterrâneo. procuro a ordem e a rotina que ainda não chegou, mas em breve. agora descansarei do descanso. dormirei feliz, com cada dia uma descoberta.
sendo mais eu do que nunca.
o movimento segue.
aeroporto, partidas, chegadas.
deslocamentos.
tanto pra falar e nada me sai em palavras. os sentimentos permanecem não-verbalizados.
o futebol, o calor, as mudanças, as combinações, os planos, as tarefas. topicos pra uma proxima vez. o piquenique, o telefone não conectado, o ventilador e o papel de parede. depois eu conto.
por enquanto é trânsito.
aproveitando o momento.