o engraçado é quando varios dos clichês da vida começam a fazer sentido.
quando as letras de musicas-drama te fazem pensar algo do tipo "pô, eu sei o que esse cara ta falando".
significa que ja vivemos o suficiente pra entender?
significa que amadurecemos?
eu não quero que amadurecer signifique endurecer. perder o olhar-ingênuo. perder o encanto. perder a esperança.
eu não quero virar a adulta cética que deixou de acreditar em magica.
e ainda assim, às vezes, me vejo indo por esse caminho.
sera que os obstaculos e as decepções foram tão grandes a esse ponto?
eu quero que o amadurecer seja andar mais leve. seja o não se preocupar por saber que, no fim, tudo da certo. seja abrir um sorriso ao encarar uma dificuldade e pensar "tudo bem, ja passei por isso antes". pra mim, amadurecer so vale a pena se for pra ser sabio. ser calmo. ser tranquilo. ser.
releio posts e emails antigos, e nessas horas tenho saudade de mim mesma. da minha ingenuidade e do meu poder de acreditar que valia a pena. e penso no que ganhei em troca. se foi maior do que aquilo que perdi. ou que esqueci. ou que deixei de lado. foi?
mas entre uma pagina e outra, eu paro e vejo que continuo aqui. eu-mesma. talvez um pouco escondida, um pouco cansada. um tanto maltratada por meus proprios julgamentos e cerceios. então é hora de seguir pelo bom caminho. de sacudir os panos, de abrir as janelas e deixar acontecer.
e resgato à mim mesma como quem reencontra um amigo. prometemos não mais deixar os problemas nos afastarem. eu-ingênua e eu-crescendo, retomando os passos de um caminhar mais seguro. e, sem duvida, muito mais leve.
a coisa toda não é que eu odeie o inverno. eu gosto de frio!
o problema é que quando se é obrigado a viver em um frio glacial durante mais de 4 meses por ano, ai a coisa começa a ficar complicada.
tudo bem, não são quatro meses de frio glacial. ainda mais agora com essa coisa toda de aquecimento global, as temperaturas têm ficado sempre um pouco acima da média. mas não muda. a questão é que, mesmo não sendo um frio congelante, os dias ainda são super curtos e escuros, o sol raramente aparece e as chuvas são ultra-freqüentes. logo, são quatro meses de clima depressivo - quase - todos os dias!
isso tudo pra explicar a minha não-vontade de sair de casa durante esse periodo. vale lembrar que eu sou uma dona-de-casa-desesperada desempregada e mestranda nas horas vagas, o que não me proporciona muitos motivos para estar na rua.
primeiro, porque paris é linda, caetano é lindo, bethânia é linda, mas durante essa época tudo é cinza e frio e molhado. segundo, porque eu não tenho dinheiro extra pra sair gastando em compras que serviriam de desculpa pra saidas ocasionais. terceiro, e não menos importante, porque eu preciso, devo, teeeenho que ler varios livros e começar a escrever dumavez varios paragrafos se algum dia eu quiser defender a minha dita dissertação!
e esse foi o post pra explicar o porquê de eu usar abrigo velho e rasgado pra sair. porque é quentinho e confortavel e bom de ficar em casa.
e porque ir ao supermercado é uma das poucas saidas que eu ainda me obrigo a fazer.
pronto.
uma das grandes vantagens desse inverno frio e chuvoso é poder sair de casa toda esculhembada, de abrigo velho e furado, que ninguém nota!
é so colocar um casacão por cima e deu. pronta pra ir ao supermercado!
posso dizer que meu 2008 começa hoje, ja que esses primeiros dias de janeiro foram uma continuação do dezembro/2007 - com hospedes e mood anfitriã.
agora tenho o espaço e as horas de volta so pra mim, o que pode ser visto como uma coisa boa e ruim ao mesmo tempo.
os dias seguem cinzentos e chuvosos, não tão frios quanto o previsto, mas ainda assim desanimadores para uma saida pela cidade. escolho ficar em casa, colocar ordem nas coisas e nos pensamentos.
é hora de rever os cronogramas e voltar para a rotina. ou melhor: é hora de estabelecer uma rotina de trabalho eficiente!
a contagem regressiva ja começou e eu finjo que não é comigo. penso no trabalho e em questões praticas pra evitar o tom de despedida. não, ainda é muito cedo!
e com quinze dias de atraso, penso em 2008 como um ano do bem. e que ele seja um ano mais colorido, um ano com mais calma, com mais realizações. um ano mais feliz!
porque com certeza movimentado ele vai ser, afinal, é o ano em que um ciclo se fecha e outro recomeça.
e o movimento, segue...

dele, meu one in a million.
comemoremos =)
saimos no sabado com os dois visitantes recém chegados. muitas horas no carro, varios cds, uma parada pra almoçar e a paisagem foi mudando.
chegamos em colmar às 16h30 de uma tarde ja escura e muito fria. um frio que nos colocou no clima do marché de noël. um mercado que cheirava à canela e mel. cheiro de natal.
a noite caiu e com ela muita névoa. atravessamos a fronteira e o branco começou a aparecer. dormimos em freiburg, a cidade que não foi conhecida além da ponte.
seguimos até füssen, a cidade dos castelos tão dificil de encontrar. neve acumulada nas ruas, uma pizza e dois castelos encantadores. a noite ja foi em munique, com direito à biergarten tipico, mesas compridas, canecos de cerveja e cardapio em alemão.
munique foi o passeio do dia de céu azul. mais mercados com cheiro de canela, um jardim de inverno e construções historicas. foi o dia da ceia em que nos dividimos entre os dois lados do mundo. foi o dia em que eu não quis mais ser a responsavel por tudo. foi a noite de natal em que o champagne estourou pra celebrar conosco.
e então mais uma fronteira. um pedagio e um colete laranja obrigatorio. montanhas brancas, muitas montanhas. muito branco. e salzbourg, a cidade onde estacionamos dentro dos alpes. onde mozart nasceu e continua dando lucros. onde a fortaleza nos olha de cima e as placas são lindas. onde filmaram a noviça rebelde. onde dormimos na melhor cama da viagem.
ainda na austria teve innsbruck. a cidade cercada pelos alpes. com montanhas por todos os lados e ruazinhas simpaticas para caminhar no frio. com personagens de contos de fadas nas janelas. com um frio enorme e um almoço reconfortante. com subida no morro pra ver tudo de cima.
passamos por liechtenstein so porque eu queria ver que cara tinha. e por fim, chegamos em zurique. a cidade que me encantou. em que o sol não apareceu, e nem fez falta. em que os prédios, a beira do rio, a pracinha e as luzes me conquistaram. em que eu fui surpreendida por essa sensação de estar a vontade. e gostei. em que ficamos no albergue de parede azul. em que eu comprei um canivete e uma caneca com a bandeira suiça, que eu adoro, e que parece da mais propaganda.
voltamos abastecidos com milhares de imagens novas, de sensações diferentes e de experiências pra contar. um natal frio e branco, com a cara do natal dos filmes, mas não do nosso. uma viagem pelos alpes e seus diversos pontos de vista, e agora mais um, o nosso.