mars 30, 2008

do lado de ca

e na volta, eu me pergunto se realmente estou pronta pra aceitar novas culturas. talvez seja culpa da midia (sempre é bom culpar a midia) que bombardeia a gente com imagens horriveis vindas do lado de la.
talvez tenha sido o excesso de simpatia do nativo que nos assustou. jantar na casa dele seria demais pra nos.
talvez tenha sido um excesso de preocupação da nossa parte. mas confesso que não é facil atravessar uma cidade repleta de homens que te olham de maneira agressiva e não respeitam nem mesmo a presença do teu marido ao lado.
e por tudo isso e mais algumas que eu me vejo preconceituosa e ao mesmo tempo triste por esse povo, que em uma cidade pobre no meio do deserto é obrigado a ser chato para ganhar uns trocos.
de repente o brasil não nos parece assim tão pobre. bom, o sul ao menos.
foi uma mistura do bom e do ruim que nos fez perceber que nem sempre é facil mergulhar em outra cultura. ou talvez seja um problema nosso.
de qualquer jeito, ca estamos de volta. valorizando ainda mais o que temos e com algumas paisagens incriveis na memoria, para ocupar essa sensação de estranhamento quando lembrarmos da nossa viagem à tunisia.

Posted by roberta at 09:03 AM | Comments (4)

mars 26, 2008

impressões depois

terceiro dia na tunisia, um local que nos persegue, céu azul e calor como ha muito não vistos, musicas no ipod, protetor solar 30, nenhum banho de piscina, um passeio amanhã, homens de camisa para a conferência, denis na conferência, eu lendo revistas e pensando em nada.

sem relatos, so descanso. e talvez algumas fotos no flickr.

Posted by roberta at 11:59 AM | Comments (1)

mars 24, 2008

estamos na africa!

estamos em tozeur, na tunisia.

chegamos em um dia de muito vento e, conseqüentemente, muita areia. tozeur é uma das portas pro deserto do sahara, o qual vamos visitar na quinta-feira. por enquanto ja dei um escândalo achando que estava sendo seqüestrada.

não estava.

o hotel em que estamos pertence ao prefeito da cidade. a gente acha que o hotel é a cidade, de tão grande.
muitas fotos e mais noticias em breve, incluindo o jantar com musica tipica rodeados de japoneses e o taxi cheio de areia.

saudações tunisianas, pq ainda não sei como se fala tchau em arabe.
shalom?

Posted by roberta at 09:51 PM | Comments (2)

mars 11, 2008

ações e dragões

foi o texto da conclusão de um livro obrigatorio pra uma prova na faculdade que me fez pensar mais uma vez sobre o assunto. sobre o dedicar-se 100% a uma tarefa, dar tudo de si e ser o melhor no que faz. não o melhor de todos, mas o melhor do que se pode ser. eu tenho essa briga eterna comigo mesma, pois sempre acho que poderia fazer melhor do que faço. me culpo por não dar tudo de mim, por ser um pouco relapsa às vezes. sempre acho que posso melhorar. e faço promessas de que da proxima vez vai ser diferente. mas na realidade, a questão não é se obrigar a ser melhor "da proxima vez", e sim encorporar o habito - em tudo o que se faz, fazer bem feito. é tornar a perfeição uma parte do dia-a-dia. e não falo de uma perfeição chata, exigente e quadrada, que nos torna insuportaveis para a convivência. é uma perfeição sutil e prazeirosa, que faz com que os resultados nos deixem satisfeitos de nosso trabalho. e com a pratica, isso se torna automatico. é como treinar pra um esporte, ou praticar um instrumento musical. é tornar o ato, nesse caso a disciplina e o fazer bem feito, uma "second nature".

o texto encerra com um conto japonês sobre a iluminação, que vou colocar aqui com as minhas proprias palavras, assim como fez o autor do livro (howard becker):

no fundo do oceano, existe um portal magico, chamado o portal do dragão. esse portal tem o poder de transformar todo peixe que passa por ele em um dragão!
porém, esse portal não é facil de encontrar, pois ele se parece exatamente com todo o resto do oceano. é invisivel.
para encontrar o portal do dragão é preciso achar os peixes que se tranformam em dragões. so que depois de transformados eles continuam com a mesma forma de antes, não existe nada em sua aparência que possa diferencia-los dos peixes normais.
e mais, os peixes que viraram dragões não têm a menor idéia da sua transformação.
eles são dragões, simplesmente o são.

e a ultima frase do livro é:
"você também pode ser um dragão".


howard becker - "les ficelles du métier", ou "tricks of the trade".

Posted by roberta at 04:05 PM | Comments (7)

mars 07, 2008

fizemos as pazes. eu e meu orientador. porque eu brigo, fico de mal e depois faço as pazes sem que a outra pessoa tenha a menor idéia. como hoje.

cheguei quase meia hora antes, essa repulsa por atrasos acaba me traindo. caminhei um pouco, sentei na parada do ônibus, de onde podia enxergar o relogio na torre da esquina. mais cinco minutos. começou a garoar bem leve quando entrei no prédio.
fui recebida com a politesse habitual. pra não dizer frieza, mas não é hora pra juizo de valores. os dois gatos esperaram junto comigo. um deles, brincando com as minhas botas, me divertiu e me fez sorrir, descontraindo.
e quando eu entrei na sala, ja não estava mais de mal. a conversa foi otima e so fez com que eu esquecesse o motivo da briga. sai de la com dicas de trabalho e um livro assinado. o aperto de mão da despedida foi simpatico e atencioso. talvez eu esteja julgando valores.
mas depois de dois anos, algumas coisas ainda parecem surreais.

a garoa me acompanhou até em casa. a sensação boa também. e junto, o livro que vai ficar como lembrança, mesmo que eu não tenha entendido tudo o que foi escrito...

Posted by roberta at 10:43 AM | Comments (3)

mars 04, 2008

resolveu sair com aquele blusão azul de gola alta. aquele que não usava ha tempos. e ao se olhar no espelho, lembrou, não lhe caia bem. era a volta do frio em um inicio de março que ainda é inverno. sentiu-se cansada como não queria.

com os olhos maquiados para se reinventar, o caminho no metrô foi incômodo por causa de seu vizinho de banco, invadindo o espaço. a proximidade ja lhe era estranha. sentiu-se européia como não queria.

chegou depois, uns vinte minutos. subiu as escadas, porque o elevador não é confiavel. no quinto andar, recebeu uma nova mensagem. sentiu-se longe como não queria.

leu o livro, releu arquivos, atendeu o telefone. e do alto do quinto andar a chuva deixava traços fininhos na janela, desenhados pelo vento. a intensidade da chuva aumentava junto com a sua vontade de ir embora. sentiu-se sozinha como não queria.

pro meio dia, faltam dez. escreveu o fim do texto e deixou a sala. vai descer as escadas e ir pra casa. pra sentir-se segura, como gostaria.

Posted by roberta at 11:43 AM | Comments (5)