vou te contar como aconteceu.
lembra da sensação de estar à beira de um precipício, pronta pra saltar? da indefinição do momento, da incapacidade de se projetar no futuro?
pois foi assim mesmo. e com um salto, chegaste do outro lado.
era o começo de uma vida nova. diferente. mas não sentias como sendo tão diferente assim, afinal as coisas continuavam iguais. as pessoas eram as mesmas.
sabias que nada mais ia ser como antes. e, juntos, vocês abraçaram esse futuro que se formava diante dos seus olhos.
os primeiros meses foram de descobertas. lugares, pessoas, hábitos, palavras. tudo era novidade. o aperto no teu peito acalmava quando pensavas que a troca era em nome de uma coisa boa. o choro e o riso se confudiam. ganhavas a cidade como quem ganhava um presente!
depois de três meses a realidade te caiu sobre os ombros. e o peso foi demais para suportares. lembra quando pensavas "dos 36 meses, já foram 3. faltam 33!"?
a angústia e a falta de chão te assustaram. depressão, te disseram. e aceitaste. nessa busca por respostas e por ti mesma, reencontraste uma prima. e ela virou uma irmã mais velha.
quando o fim do ano chegou, a nuvem começou a se afastar. e ali começou o que seria o teu melhor ano destes três. viagens, amigos, visitas. família. abraçaste aqueles dois como quem volta pra casa. e descobriste que aeroportos te fazem chorar. sempre.
em um ano vistes que aquele que já te parecia íntimo virou uma parte de ti. como se sempre tivesse sido. vocês viraram inseparáveis.
um ano em que te encontraste. em que encontraste alguém importante. e ele te abriu as portas para estudar com ele. e crescer, mais.
e depois de 16 meses, a volta. os encontros. os abraços. as novidades. o sentir-se em casa. foste pra casa e voltaste pra cá. foste pra lá e voltaste pra casa.
energias renovadas para enfrentar o que se anunciaria um ano difícil. de extremos. de provas a serem vencidas.
e a sanidade foi mantida graças às conversas-cafés no msn. o sentir-se próximo em qualquer lugar.
do lado de lá vieram as notícias boas e as ruins. quase ao mesmo tempo. do lado de cá, uma viagem paradisíaca. outra pra ficar em paz. não conseguiste te achar.
uma visita pra alegrar os meses que pareciam iguais. estavas em casa mais uma vez. e em pouco tempo, a outra volta. breve, intensa.
a última visita do ano trouxe a família pra perto outra vez. com as brigas que estas têm direito. e as alegrias que estas têm direito. o novo ano entrou com a promessa de ser diferente. prometeste não mais te perder. e cumpriste.
um ano de encerramentos. os amigos queridos, os hábitos adquiridos, os lugares, os momentos, a rotina. tudo o que vais ter que deixar pra trás. começa a doer.
a expectativa, a família, os planos, os amigos queridos. tudo o que vais encontrar pela frente. começa a empolgar.
tens ao teu lado aquele que escolheste para ali estar. em três anos aquele amor que já parecia tão grande ficou maior ainda. como se fosse possível.
agora um ciclo se acaba e outro começa. as indefinições reaparecem. lembra quando tentaste imaginar esse momento? ele chega rápido, mais do que deveria. pois agora tens dois meses para te despedires deste lugar onde aprendeste a viver.
a ser dupla. a ser única. a ser tu mesma.
1095 dias atrás saíste de pelotas com uma confiança incrível! tinhas certeza do que estavas fazendo.
e hoje eu admiro essa tua segurança e tento resgatar essa essência em mim.
1095 dias atrás saltaste para o outro lado.
foi diferente do que imaginavas. foi intenso, foi sofrido, foi fantástico!
não sei se hoje sou aquela que pensavas um dia te tornar, mas te garanto que estamos mais fortes.
seguimos em busca de um equilíbrio que talvez nunca chegue, mas hoje somos mais calmas. temos paciência pra esperar chegar.
então hoje, 1095 dias depois daquele em que deixaste pelotas pra viver em paris, eu te dou um só conselho:
nunca deixes de acreditar.
em uma semana virei mãe. por metáfora e por fofoca. uma de verdade, outra de mentira.
em uma semana me apeguei a um serzinho de dois quilos que me segue pela casa e dorme de barriga pra cima. me apaixonei por uma gatinha!
em dois dias me preocupei com coisas que não estão a meu alcance. e mais uma vez quis estar do outro lado.
em uma tarde chorei por exagero emocional. uma distância à qual não estou acostumada. naquele copo devem estar duas escovas de dentes, não uma.
em uma semana o lado sensível alcançou a superfície.
será que de agora em diante só tende a piorar?
recebi da marina, pra citar:
-as minhas 3 alegrias,
-os meus 3 medos,
-os meus 3 objetivos,
-as minhas 3 obsessões e
-3 fatos surpreendentes sobre mim.
com as seguintes regras:
-Passe para cinco pessoas no final do seu post.
-Deixe comentário para as cinco pessoas escolhidas em seus respectivos blogs.
aviso que é post de libriana indecisa, que amanhã já mudou de opinião.
minhas 3 alegrias:
1) estar com minhas pessoas queridas
2) aprender coisas novas
3) perceber momentos de felicidade
meus 3 medos:
1) de me deixar levar pelo medo
2) de deixar de acreditar
3) de me perder de mim
minhas 3 obsessões:
1) buscar o equilíbrio
2) buscar respostas
3) buscar a calma
meus 3 objetivos:
1) trabalhar com algo que me realize
2) viver rodeada pela minha família
3) ser mais zen
3 fatos surpreendentes sobre mim:
1) pareço calma quando na verdade estou a mil por dentro
2) cruzo os dedos quando passo embaixo de escadas (sem querer, já ficou automático)
3) não consigo pensar em nenhum outro. pode ser que aprendi a ler sozinha com uma revistinha do chico bento aos 4 anos? ou que pretendo aprender a falar alemão sem razão nenhuma? ou que quero aprender a gostar de frutos do mar, que eu não consigo comer de jeito nenhum?
passo pra giu, pra ju, pra jo, pra carol e pro diego!
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